Evento internacional reuniu acadêmicos e profissionais para debater como ferramentas digitais, como o Passaporte do Produto, podem construir um futuro industrial mais sustentável e competitivo.
São Paulo, 13 de novembro de 2025 – O OCEAN no Inova USP foi palco, na última terça-feira (11), de uma palestra que iluminou o caminho para a indústria do futuro, com apoio da AUSPIN, por meio do Prof. Mateus Gerolamo, assessor da AUSPIN, responsável pela coordenação da área de empreendedorismo. Com o tema “Alavancando a Indústria 4.0 para Viabilizar a Transição para uma Economia Circular Inteligente”, os pesquisadores europeus Maxim Mintchev e Anna-Maria Paust apresentaram como a sinergia entre as tecnologias digitais e os princípios da economia circular não é apenas uma ambição, mas uma realidade em implantação, crucial para a competitividade e a sustentabilidade das empresas.
A palestra, conduzida inteiramente em inglês, atraiu um público diversificado de profissionais do setor, acadêmicos e estudantes, todos interessados em compreender as ferramentas práticas para essa transição.
Do Linear para o Circular: A Ponte Digital
Os palestrantes enfatizaram que o modelo industrial tradicional — extrair, produzir, descartar — é esgotável. A economia circular propõe um sistema regenerativo, e a Indústria 4.0 é a facilitadora dessa mudança. Anna-Maria Paust destacou que “a digitalização oferece a visibilidade e o controle necessários para fechar os ciclos de materiais e energia. Dados não são mais apenas para otimização de produção; são o alicerce para a rastreabilidade do ciclo de vida completo do produto”.
O ponto central da discussão foi o Digital Product Passport (DPP) ou Passaporte Digital do Produto. Maxim Mintchev explicou que o DPP funciona como uma identidade digital única para cada produto, armazenando informações cruciais sobre sua composição, origem, manutenção, instruções de desmontagem e opções de fim de vida.
“Imagine uma turbina eólica ou mesmo um smartphone onde, ao final de sua vida útil, um reciclador tem acesso instantâneo a todos os dados necessários para desmontá-lo e recuperar seus valiosos materiais de forma eficiente. Isso é transformador. O Passaporte aumenta drasticamente o valor residual dos produtos e torna a reciclagem economicamente viável”, ilustrou Mintchev.
Casos Reais e o Futuro da Manufatura
Além do conceito, a dupla de engenheiros de pesquisa trouxe exemplos práticos de aplicações na Europa, demonstrando como sensores de IoT (Internet das Coisas) podem prever falhas em equipamentos, estendendo sua vida útil, e como plataformas de big data podem conectar diferentes indústrias para que os resíduos de uma se tornem a matéria-prima de outra.
O evento deixou claro que a transição para uma Economia Circular Inteligente é tanto uma questão tecnológica quanto estratégica. As empresas que adotarem essas ferramentas não apenas reduzirão seu impacto ambiental e atenderão a demandas regulatórias crescentes, mas também ganharão uma vantagem competitiva significativa através da eficiência de recursos e da criação de novos modelos de negócio.
Ao final, uma sessão de perguntas movimentada evidenciou o grande interesse do público brasileiro no tema, sinalizando que a integração entre sustentabilidade e digitalização é uma fronteira essencial a ser explorada pela indústria nacional.




